
A campanha da Benetton, com fotos de Oliviero Toscani, ilustra o que quero dizer, leiam e comentem!
Olá, tive conhecimento através de uma funcionária sem noção, odiada por todos e que pra nossa alegria não tem a mínima noção de quando parar. Ela atormenta a vida de todos com comentários idiotas e seus casos amorosos sem futuro. A coisa pega quando ela começa com alguns comentários preconceituosos, e eu como a única negra da agência não acho a menor graça, fico inibida e absolutamente sem chão dependendo do que é dito.
Tive uma criação excelente, procuro ser educada, gentil e evitar qualquer tipo de confronto no ambiente de trabalho. O fato é q procuro responder a todos os comentários, piadas e gracejos apenas com um sorriso, embora por diversas vezes tenha tido vontade de pular no pescoço da infeliz. Enfim, (Urso neh!?) me diga como agir nessas situações, preciso de um guia de etiqueta mesmo, mas reforço que se tratam de situações no ambiente de trabalho (evitar atritos, mal estar geral e etc…) porque fora daqui a “coisa” muda de figura, pois minha família praticamente não teve miscigenação. Aguardo, Andréa.
Cara Andréa, imagino que deve ser realmente difícil ficar fazendo cara de paisagem em situações como essa, só posso imaginar, pois nunca passei por tais constrangimentos, mas acredito que também já devo ter constrangido muitas pessoas com meus comentários secos e irônicos.
Isso não acontece apenas com os negros, judeus, asiáticos, obesos, loiras, portugueses, baixinhos, gigantes, homossexuais, pobres, ricos, ignorantes, nerds e tantos outros mais que fazem parte de algum segmento da população que passam pelo mesmo desconforto. O problema é social e cultural e não apenas racial. Todos aqueles que não fazem parte das “famílias perfeitas da margarina” nas propagandas de televisão sofrem esses infortúnios de forma, quase sempre, calada, mesmo que injustamente.
Acredito que a melhor solução para o caso não é ignorar a pessoa e nem mesmo provocá-la, isso só aumenta o atrito, nesta situação específica sugiro a você que chame a dita cuja de canto e converse abertamente com ela, fale o quanto isso a incomoda e que você apreciaria a compreensão deste ser tão evoluído para que esse assunto não tome maiores proporções.
Na sua pergunta você deixou muito claro que seu maior contato fora do trabalho é com pessoas da mesma etnia e que nesses casos não há problema, pois bem, achei esse dado muito importante para minha resposta, ele mostra claramente que o problema é cultural.
Da mesma forma que você teve muito mais contato com negros, os de família com origem caucasóide têm muito mais contato com outros brancos, e os asiáticos também seguem essa norma. O ser humano tem tendência natural em andar em grupos, talvez seja uma forma de proteção mútua ou por temerem a rejeição, mas o fato é que andam.
Devido ao meu cotidiano, em alguns momentos, participo de outros grupos que não o dos brancos e por vezes também me sinto desconfortável, ou seja, o problema não é racial, se fosse, eu, como branco, nunca seria ridicularizado por um grupo asiático ou negro, correto?

Lido com isso de forma muito natural porque entendo que o problema não é comigo exatamente, mas sim com a forma que somos criados.
Fora isso, existe também a nossa memória, para ser mais claro, vou expor alguns pontos que talvez ajudem a compreender melhor esses atritos raciais, sociais e culturais. Nasci em uma família bastante miscigenada, porém sem nenhum negro, fiz pré-escola, primário, ginásio e colegial em colégio público, mas por sua localização, raros eram outros estudantes de outras etnias.
Fui para a faculdade, continuou tudo igual. Passei a reparar que no cinema, restaurantes e nos bares que eu freqüentava a presença de negros era baixíssima. Calma! Não sou do partido nazi e só freqüento bunkers fascistas… Estou falando de locais convencionais em São Paulo. Qual o resultado disso? Simples, eu tive que parar para pensar a respeito caso contrário não saberia como lidar com outras culturas. Mas, quantas pessoas se prestam a isso?
O cara do proletariado brada “quem bate cartão, não vota em patrão”. Absurdo! Quem bate cartão deve votar em quem achar melhor e não de forma segregadora. Leia mais »